Há 6 anos
domingo, 20 de janeiro de 2013
segunda-feira, 25 de junho de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
"Marta" - Ornatos Violeta
Marta não quer chorar
guarda nela sem ter razão
as negras ondas do mar
tentem ver no cordão
que vos une à razão
quão pior é morrer devagar
Marta não quer chorar
mas seus olhos vertem a dor
de morrer para não matar
é que a vida são
canções de épicos refrões
que farão o mar fluir
só que um dia vão ter de acabar
esta é só mais uma canção
não lhe fiz um refrão
porque Marta já está a chorar
(Manel Cruz)
in CD Ornatos Violeta INÉDITOS/RARIDADES (P)(C)2011 Universal Music Portugal, SA
segunda-feira, 19 de março de 2012
"Black Gold" - Soul Asylum
Two boys on a play ground
Tr'yn to push each other down
See the crowd gather round
Nothing attracts a crowd like a crowd
Black Gold in a white plight
Won't you feel up the tank, let's go for a ride
I don't care 'bout no wheel chair
I've got to much left to do with my life
Moving backwards through time
Never learn, never mind
That side's yours, this side's mine
Brother you ain't my kind
You're a Black soldier, white fight
W'ont you feel up the tank lets's go for a ride
Sure like to feel some pride
But this place just makes me feel sad inside
Mother: Do you know where your kids are tonight??
Keep the kid's, of the street
Give them something to do, something to eat
This spot was a playground
This flat land used to be a town
Black gold in a white plight
W'ont you fell up the tank lets go for a ride
Sure like to feel some pride
But this place makes me feel sad inside
Back Gold in a white plight
wont you feel up the tank lets go for a ride
I don't care 'bout no wheelchair
I've got to much left to do with my life
Songwriter: David Pirner
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
"Não pratico habilidades" - B Fachada
Uma das novas músicas do B Fachada: Não pratico habilidades
Ouçam aqui
Letra (tirada a ouvido):
Podes fazer o que quiseres
Eu deixo... gozar comigo por não ser cantor
Podes até ser má que eu não me queixo
Estás sempre pronta para o amor
Eu não pratico habilidades
Tu sabes bem como eu sofro com o calor
Viver é só facilidades
Estás sempre pronta para o amor
Tiro a barba para te animar
Canto a minha pirosada
Para te chegar ao calcanhar
Preguiçoso e mau de piça
Sou um bruto a melhorar
Enquanto não fizer te justiça
Não me sento a descansar
Tu desconfias do Diabo
Mas o Diabo é meu professor
Eu aguento, eu nunca acabo
Tu estás sempre pronta para o amor
Se eu me livrar dos disparates
Podes ralhar por passar melhor
Eu nos meus 26 quilates
Dou-te a resposta para o amor
Tiro a barba para te animar
Canto a minha pirosada
Para te chegar ao calcanhar
Preguiçoso e mau de piça
Sou um bruto a melhorar
Enquanto não fizer te justiça
Não me sento a descansar
Mostras-me a barriga para sentir-me um vencedor
Mas duvidas que eu consiga dar vazão ao teu amor
Ouçam aqui
Letra (tirada a ouvido):
Podes fazer o que quiseres
Eu deixo... gozar comigo por não ser cantor
Podes até ser má que eu não me queixo
Estás sempre pronta para o amor
Eu não pratico habilidades
Tu sabes bem como eu sofro com o calor
Viver é só facilidades
Estás sempre pronta para o amor
Tiro a barba para te animar
Canto a minha pirosada
Para te chegar ao calcanhar
Preguiçoso e mau de piça
Sou um bruto a melhorar
Enquanto não fizer te justiça
Não me sento a descansar
Tu desconfias do Diabo
Mas o Diabo é meu professor
Eu aguento, eu nunca acabo
Tu estás sempre pronta para o amor
Se eu me livrar dos disparates
Podes ralhar por passar melhor
Eu nos meus 26 quilates
Dou-te a resposta para o amor
Tiro a barba para te animar
Canto a minha pirosada
Para te chegar ao calcanhar
Preguiçoso e mau de piça
Sou um bruto a melhorar
Enquanto não fizer te justiça
Não me sento a descansar
Mostras-me a barriga para sentir-me um vencedor
Mas duvidas que eu consiga dar vazão ao teu amor
sábado, 8 de outubro de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Penhasco
Estou em frente à janela onde 'me despenhei'
Estou a ouvir o desespero de uma mulher adúltera
Gritando com o som da trovoada ao seu marido
Troveja forte e o vento levanta-se
A alma revolta-se com os erros do passado recente
A alma revolta-se com a impotência na sua correcção
Estou a ouvir o desespero de uma mulher adúltera
Gritando com o som da trovoada ao seu marido
Troveja forte e o vento levanta-se
A alma revolta-se com os erros do passado recente
A alma revolta-se com a impotência na sua correcção
sábado, 18 de junho de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
"Eu, quem sou eu???" - Nuno Duarte
Nem eu sei quem eu sou.in http://www.myspace.com/n_d_666
Além de ser o que não sei.
Eu penso que sou...
Humm...
Um génio da loucura
Que gosta de ver e sentir
O corpo da mulher que ama
E de sonhar com ela
De ouvir a música que gosta
Além disso, nada sei...
Mas sei que tudo está aqui ao pé de mim
E eu sinto que não estou no vazio do tempo
É assim que eu sou
O nada que tudo quer
O nada que quer o que todos querem
O nada que quer o prazer
O nada que quer viver a loucura da mulher amada
Eu sou o nada
quinta-feira, 12 de maio de 2011
"São Sete Voltas P'rá Muralha Cair" - Tiago Guilul
ESTA É UMA GUERRA QUE SE GANHA DE RODEIOS
A ESTRATÉGIA É SIMPLES, NÃO SE CONTAM OS MEIOS
NO ALTO DA MURALHA ELES ATÉ PODEM RIR
UMA VOLTA DADA P'RA MURALHA CAIR
CONTRA OS TIJOLOS MARCHAM AS CANÇÕES
PARECEMOS TOLOS MAS TEMOS OS REFRÕES
É ASSOBIANDO P'RO AR QUE VAMOS INSISTIR
DUAS VOLTAS DADAS P'RA MURALHA CAIR
NÃO É A GEOESTRATÉGIA QUE DIZ
MAS A HOSPITALIDADE DA MERETRIZ
PRENDAM OS CLIENTES, DEIXEM A POBRE SAIR
TRÊS VOLTAS DADAS P'RA MURALHA CAIR
NÃO TEMOS QUARTEL, DORMIMOS NO ARRAIAL
ORQUESTRA DE SOPROS SEM PAUTA MUSICAL
AO AR-LIVRE É QUE GOSTAMOS DE NOS OUVIR
QUATRO VOLTAS DADAS P'RA MURALHA CAIR
NÃO HÁ BATERIA, BAIXO, GUITARRA, MICROFONE
NA TROMBETA TEMOS O NOSSO PROTO-TROMBONE
HAJA BOCA P'RA SOPRAR E PÉS P'RA FUGIR
CINCO VOLTAS DADAS P'RA MURALHA CAIR
UM AGRUPAMENTO QUE NINGUÉM ATURA
O SOM NÃO ENTRETEM, O SOM SÓ DESMURA
NÃO É PARA EMBALAR É MESMO P'RA DEMOLIR
SEIS VOLTAS DADAS P'RA MURALHA CAIR
É AGORA OU NUNCA ENCHAM OS PULMÕES
É MESMO P'RA GRITAR SEM CONTEMPLAÇÕES
DE JERICÓ NEM UMA PEDRA VAI RESISTIR
SÃO SETE VOLTAS P'RA MURALHA CAIR
Música e letra de Tiago Guillul.
[Guillul: vozes, baixo, guitarra acústica e manipulação do excerto sonoro; Silas: órgão; Ben: guitarra eléctrica; Joaquim: vozes e gritos; Miriam: vozes; Joel Silva: bateria; palmas: Guillul, Silas, Ben, Baridó, Fernandes, Ramos, Pires e Alex]
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
"Que Deus" - Boss AC
Há perguntas que têm de ser feitas!
Quem quer que sejas
Onde quer que estejas
Diz-me se...
É este o mundo que desejas!?
Homens rezam, acreditam,
Morrem por ti!
Dizem que estás em todo o lado
Mas não sei se já te vi!
Vejo tanta dor no mundo
Pergunto-me se existes!?
Onde está a tua alegria
Neste mundo d'homens tristes!?
Se ensinas o bem
Porque é que somos maus por natureza!?
Se tudo podes
Porque é que não vejo comida à minha mesa?
Perdoa-me as dúvidas
Tenho que perguntar
Se sou teu filho e tu me amas
Porque é que me fazes chorar?
Ninguém tem a verdade
O que sabemos são palpites
Sangue é derramado em teu nome
É porque o permites
Se me deste olhos
Porque é que não vejo nada?!
Se sou feito à tua imagem
Porque é que eu durmo na calçada!?
Será que pedir a paz entre os homens
É pedir demais!?
Porque é que sou discriminado
Se somos todos iguais!?
Porquê!?
Porque é que os Homens se comportam como irracionais?!
Porque é que guerras, doenças matam cada vez mais?!
Porque é que a paz não passa de ilusão?!
Como pode o Homem amar com armas na mão?!
Porquê!?
Peço perdão pelas perguntas que têm que ser feitas
E se eu escolher o meu caminho será que me aceitas?!
Quem és tu? Onde estás? O que fazes? Não sei!
Eu acredito é na Paz e no Amor!
Por favor não deixes o mal
Entrar no meu coração
Dou por mim a chamar
O teu nome em horas d'aflição
Mas... Tens tantos nomes!
És rei de tantos tronos!
Se o Homem nasce livre
Porque é que alguns são donos?!
Quem inventou o ódio?!
Quem foi que inventou a guerra?!
Às vezes acho que o inferno
É um lugar aqui na Terra!
Não deixes crianças
Sofrer pelos adultos
Os pecados são os mesmos
O que muda são os cultos
Dizem que ensinaste o Homem
A fazer o bem
Mas no livro que escreveste
Cada um só lê o que lhe convém
Passo noites em branco
Quase sem dormir a pensar
Tantas perguntas
Tanta coisa por explicar
Interrogo-me
Penso no destino que me deste
E tudo o que me acontece
É porque tu assim quiseste
Porque é que me pões de luto
E me levas quem eu amo?!
Será que é essa a justiça
Pela qual eu tanto clamo?!
Será que só percebemos
Quando chegar a nossa altura!?
Se calhar desse lado
Está a felicidade mais pura!
Mas se nada fiz
Nada tenho a temer
A morte não me assusta
O que assusta é a forma de morrer!
Porque é que os Homens se comportam como irracionais?!
Porque é que guerras, doenças matam cada vez mais?!
Porque é que a paz não passa de ilusão?!
Como pode o Homem amar com armas na mão?!
Porquê!?
Peço perdão pelas perguntas que têm que ser feitas
E se escolher o meu caminho será que me aceitas?!
Quem és tu? Onde estás? O que fazes? Não sei!
Eu acredito é na Paz e no Amor!
Quanto mais tento aprender
Mais sei que nada sei
Quanto mais chamo o teu nome
Menos entendo o que chamei
Por mais respostas que tenha
A dúvida é maior
Quero aprender com os meus defeitos
Acordar um homem melhor
Respeito o meu próximo
Para que ele me respeite a mim
Penso na origem de tudo
E penso como será o fim!
A morte é o fim
Ou é um novo amanhecer?!
Se é começar outra vez
Então já posso morrer!
(Teresa Salgueiro)
Ao largo ainda arde
A barca da fantasia
O meu sonho acaba tarde
Acordar é que eu não queria!
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domingo, 24 de abril de 2011
"Crossfire" - Brandom Flowers
Music video by Brandon Flowers performing Crossfire. (C) 2010 The Island Def Jam Music Group
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
"My Falling House" - At Freddy's House
I raise my hands
and stretch the dry skin of old age
all the lines draw an ending
without time for amendments
time went by
my old house became smaller
all my doors seem too narrow
as my shadow grows taller
the stairs inside my falling house
pile the dust of old days
I laze beneath the rusty hatch
where I once locked the sunshine
I am home
I could lay here where the walls tell my story
I rest my head down on the cold floor
I can wait here for a while, before morning
the light inside my falling house
warms the dust of old days
from the roof the open hatch
cuts half my ageing shadow.
Música: Fred © http://www.myspace.com/atfreddyshouse
Letras: Susana Noronha © http://www.susananoronha.com/
segunda-feira, 11 de abril de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Florence and The Machine - Dog Days Are Over (2010 Version)
Happiness hit her like a train on a track
Coming towards her stuck still no turning back
She hid around corners and she hid under beds
She killed it with kisses and from it she fled
With every bubble she sank with her drink
And washed it away down the kitchen sink
The dog days are over
The dog days are done
The horses are coming
So you better run
Run fast for your mother, run fast for your father
Run for your children, for your sisters and brothers
Leave all your loving, your loving behind
You cant carry it with you if you want to survive
The dog days are over
The dog days are done
Can you hear the horses?
‘Cause here they come
And i never wanted anything from you
Except everything you had and what was left after that too, oh
Happiness hit her like a bullet in the head
Struck from a great height by someone who should know better than that
The dog days are over
The dog days are done
Can you hear the horses?
‘Cause here they come
Run fast for your mother, run fast for your father
Run for your children, for your sisters and brothers
Leave all your loving, your loving behind
You cant carry it with you if you want to survive
The dog days are over
The dog days are done
Can you hear the horses?
‘Cause here they come
The dog days are over
The dog days are done
The horses are coming
So you better run
Compositores: Florence Welch, Isabella Summers
Editora: Universal Island, Moshi Moshi, IAMSOUND
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Liberdade de correr, de saltar, de gritar
Correr, com este frio, é quase como gritar
Quando, em menino, corria sem pensar em nada
Não havia vontade sabida nos gritos de cada
As correrias saiam fluídas e a desgarrar
E crescido... agora, talvez só mais velho
Há sulcos cá dentro que ecoam urros
São um impulso sério dos murros
Que nunca nos apeteceriam em fedelho
O espelho já reflecte rugas e cãs
E as pernas já não correm sem nexo
Há que equilibrar o corpo convexo
Com o desgaste diário da mente vã
Quando, em menino, corria sem pensar em nada
Hoje corro a pensar em tudo e grito à desgarrada
Quando, em menino, corria sem pensar em nada
Não havia vontade sabida nos gritos de cada
As correrias saiam fluídas e a desgarrar
E crescido... agora, talvez só mais velho
Há sulcos cá dentro que ecoam urros
São um impulso sério dos murros
Que nunca nos apeteceriam em fedelho
O espelho já reflecte rugas e cãs
E as pernas já não correm sem nexo
Há que equilibrar o corpo convexo
Com o desgaste diário da mente vã
Quando, em menino, corria sem pensar em nada
Hoje corro a pensar em tudo e grito à desgarrada
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
De falar contigo, como sempre!
Ah... disso não tenho pressa
Gosto de acasos e de dizer ok
Eu sou curioso a caracterizar
Idem na contemplação inquieta
Não me acerco do signo das estrelas
Não me perco de teorias, só de mulher
Sei mais por elas, da sua boca
Ah... e do signo elas dizem
Gostam de saber tudo...
Ouvir tudo de relance também encaixa
Sabem guardar segredos e dos bem quentes
Exigem não falar, dizem ser ouvintes...
Sem se exporem também
Havendo nudez que seja bem guardada
Um dia pode ser que a guardemos juntos, dia-a-dia
Nunca digo nunca, eu!
Fazem deles bons amigos, confidentes
Prefiro ser carinhosamente mais transparente
E dormir sem receio do hoje se repetir já ao acordar
O dia foi duro e atrapalhado
Um pouco de força rude da mente a atrapalhar
Força a irritação e agora ninguém explica
Mesmo quando se lembra, deixam sem jeito qualquer um
Mais uma vez aguardo as cores do fica bem... comigo!
Gosto de acasos e de dizer ok
Eu sou curioso a caracterizar
Idem na contemplação inquieta
Não me acerco do signo das estrelas
Não me perco de teorias, só de mulher
Sei mais por elas, da sua boca
Ah... e do signo elas dizem
Gostam de saber tudo...
Ouvir tudo de relance também encaixa
Sabem guardar segredos e dos bem quentes
Exigem não falar, dizem ser ouvintes...
Sem se exporem também
Havendo nudez que seja bem guardada
Um dia pode ser que a guardemos juntos, dia-a-dia
Nunca digo nunca, eu!
Fazem deles bons amigos, confidentes
Prefiro ser carinhosamente mais transparente
E dormir sem receio do hoje se repetir já ao acordar
O dia foi duro e atrapalhado
Um pouco de força rude da mente a atrapalhar
Força a irritação e agora ninguém explica
Mesmo quando se lembra, deixam sem jeito qualquer um
Mais uma vez aguardo as cores do fica bem... comigo!
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
"Tabacaria" - Álvaro de Campos (com voz de João Villaret e música de Dead Combo)
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.
Tabacaria de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
Narração por João Villaret
Música por Dead Combo
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
domingo, 26 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
"Any Means Necessary" - Hammerfall
I won't pull the trigger, just to see you die
No remedy to make me come alive
I'm ticking like a time bomb, no fuse just guts and gore
Initiate the burning of the core
I count down to 0, pull the trigger, no parole
No mercy - no mercy on your soul
Kill by any means necessary
Win by any means necessary
Live by any means necessary
Die by any means necessary
I am not judgmental
A sinner nor a saint
Cause either you're my best friend or you ain't
Come gather here around me
Feel my breath under your skin
I'm deadly only when I'm getting caught
I count down to 0, I'm a soldier without soul
No mercy - no mercy on your soul
Kill by any means necessary
Win by any means necessary
Live by any means necessary
Die by any means necessary
I am born to kill, judge and condemn
I am born to win, slay and maim 'em
I am born to live, fight for glory
I am born to die
Kill
Win
Live
Die
Kill by any means necessary
Win by any means necessary
Live by any means necessary
Die by any means necessary
I am born to kill, judge and condemn
I am born to win, slay and maim 'em
I am born to live, fight for glory
I am born to die, memento mori
(2x)
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Tiago na toca
Onde anda a parte simples como desenho minimal?
A toca fica oca se não sopra ou respira
A faca já não corta se ninguém a afia
O leme fica perro se o rumo não desprende
A saída é um erro
Na toca o princípio nem existe
Cá dentro há gigantes que nos regem
Como risos que não fingem
É eufórica a alegria e de sangue a agonia
Porque também se pode querer no que há do outro lado
E é sempre credível
Um conceito credível onde a mão é mais quadrada
E a mensagem estudada e mais limpa do ruído
Como aquelas fotografias onde estamos bem vestidos…
Mas eu gosto do ruído
Eu quero do ruído outras coisas que viajam
Que são espelho do que somos como forças à deriva
Que não prendem ou controlam e são ventos sem vontade...
Mas que não param.
Eu quero a parte fraca porque é nela que nos vemos
Desafio a parte forte para agarrar no mundo
Quero o medo da coragem e a coragem de ter medo
Tenho um corte que desvenda
Quero o fruto que se colhe
Pode ser anjo, ou demónio mas na toca não se escolhe.
Retirado de: Myspace Tiago na toca
A toca fica oca se não sopra ou respira
A faca já não corta se ninguém a afia
O leme fica perro se o rumo não desprende
A saída é um erro
Na toca o princípio nem existe
Cá dentro há gigantes que nos regem
Como risos que não fingem
É eufórica a alegria e de sangue a agonia
Porque também se pode querer no que há do outro lado
E é sempre credível
Um conceito credível onde a mão é mais quadrada
E a mensagem estudada e mais limpa do ruído
Como aquelas fotografias onde estamos bem vestidos…
Mas eu gosto do ruído
Eu quero do ruído outras coisas que viajam
Que são espelho do que somos como forças à deriva
Que não prendem ou controlam e são ventos sem vontade...
Mas que não param.
Eu quero a parte fraca porque é nela que nos vemos
Desafio a parte forte para agarrar no mundo
Quero o medo da coragem e a coragem de ter medo
Tenho um corte que desvenda
Quero o fruto que se colhe
Pode ser anjo, ou demónio mas na toca não se escolhe.
Retirado de: Myspace Tiago na toca
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Só sem apego
Ser pai ou mãe
Dar vida, apoio e orientação
Se fosse só isso?
Não dormir, ter mais preocupações, pensar mais neles do que em nós...
Aih aih
Não sei o que é tal encargo nobre
Observo à minha volta, próximo e aproximo-me do que é...
Talvez não me chegue...
Resta-me não tirar o sono aos meus
Reduzir ao mínimo o incómodo
Por sinal sossegar-me sem apego
Dar vida, apoio e orientação
Se fosse só isso?
Não dormir, ter mais preocupações, pensar mais neles do que em nós...
Aih aih
Não sei o que é tal encargo nobre
Observo à minha volta, próximo e aproximo-me do que é...
Talvez não me chegue...
Resta-me não tirar o sono aos meus
Reduzir ao mínimo o incómodo
Por sinal sossegar-me sem apego
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Carregado
Atormento e penitencio amarguradamente o meu interior. A voz do pensamento mais profundo é assolada pela inércia da realidade, do constante sonho de realização que o meu ser busca neste mundo em azáfama, que tarda em acontecer.
Remir os meus pecados? Sujeito-me a sacrifícios só pelas decisões que tomei outrora. Não são pecados aos olhos de Deus, aos olhos do Homem. Não me penitencio perante eles. Perante mim, sim. São pecados meus, da religião íntima da procura do melhor caminho no egoísmo da minha razão.
Ajuizo-me em causa própria do que fui, do que decidi, do que vivo consequentemente.
E só eu me carrego. Só eu me carregarei. Um homem de palha a avolumar-se.
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